SPIRULINA: COMBO DE NUTRIÇÃO E BENEFíCIOS INCRÍVEIS

Spirulina é uma espécie de alga azul-esverdeada bastante famosa dentre aqueles que buscam um estilo de vida e alimentação mais saudáveis. As duas principais espécies de spirulina compreendem Arthrospira platensis e Arthrospira maxima. É uma das plantas de água doce mais pesquisadas, ao lado de sua prima chlorella.

Com seu cultivo espalhado ao redor do mundo, spirulina é reconhecida por seu sabor intenso e perfil nutricional poderoso, oferecendo vitaminas do complexo B (incluindo B12, riboflavina, tiamina), provitamina A (β-caroteno), vitamina K, vitamina E, cálcio, magnésio, manganês, ferro, selênio, potássio, zinco e cobre.

Spirulina é um organismo unicelular cujo nome provém da palavra latina "hélice" ou "espiral", devido a seu formato parecido com o de uma mola. Com uma longa história de uso como alimento, tem sido vastamente utilizada como fonte de proteínas e nutrientes essenciais pelos humanos, sem efeitos colaterais significativos. É fonte de ácidos fenólicos, tocoferóis e GLA (ácido gamalinolênico).

Embora quase sempre mencionada como uma alga, a spirulina tecnicamente trata-se de um tipo de cianobactéria. As cianobactérias são classificadas como bactérias, pois seu material genético não está organizado em um núcleo unido à membrana. Diferente de outros tipos de bactérias, possuem clorofila e utilizam o sol como fonte de energia, do mesmo modo que as plantas e as algas fazem.

Spirulina pertence ao grupo de subtâncias listadas pela FDA na categoria GRAS (Geralmente Reconhecido como Seguro). É relativamente fácil de cultivar, mas floresce apenas em lagos alcalinos com pH extremamente alto e em grandes lagoas ao ar livre sob condições controladas. Na sequência veremos com mais detalhes como esse alimento pode contribuir em nossa saúde.

 

BENEFÍCIOS DA SPIRULINA

Ao longo dos anos, vários estudos foram realizados a respeito dos possíveis benefícios da spirulina, com achados animadores. Não à toa esse ingrediente vem crescendo em notoriedade dentre aqueles que buscam saúde otimizada. Se você ainda não o tem como aliado, trazemos abaixo algumas razões pelas quais você poderia querer:

Alergias, rinites e imunomodulação

É documentado que a spirulina oferece propriedades anti-inflamatórias, inibindo a liberação de histamina pelos mastócitos [1, 2].

Em estudo randomizado duplo-cego controlado por placebo, indivíduos com rinite alérgica foram alimentados diariamente com placebo ou spirulina por doze semanas. As análises demonstraram que altas doses de spirulina reduziram significativamente os níveis de interleucina 4 (IL-4), que é uma citocina importante na regulação da alergia mediada por imunoglobulina E (IgE), indicando seus efeitos protetores na rinite alérgica.

De acordo com outro estudo duplo-cego controlado por placebo, pacientes tratados com spirulina relataram alívio de sintomas comumente associados à rinite alérgica, como secreção e congestão nasal, espirros e coceira. Segundo autores, spirulina é clinicamente eficaz na rinite alérgica quando comparada ao placebo. Observaram, ainda, que mais estudos devem ser realizados para esclarecer o mecanismo desse efeito.

É sabido que a deficiência de nutrientes é responsável por alterações na imunidade, as quais se manifestam de várias maneiras. Spirulina possivelmente modula o sistema imunológico por sua capacidade de cobrir deficiências nutricionais.

Intoxicação crônica por arsênico

Milhões de pessoas ao redor do mundo consomem alta concentração de arsênico e correm o risco de intoxicação crônica por esse componente. Um estudo de 2006, duplo-cego controlado por placebo, foi conduzido para avaliar a eficácia do extrato de spirulina mais zinco no tratamento da intoxicação crônica por arsênico.

Nesse estudo identificou-se que a administração de spirulina (250 mg) mais zinco (2 mg) duas vezes ao dia por dezesseis semanas pode ser útil no tratamento de intoxicação crônica por arsênico. De acordo com o mesmo estudo:

"Milhões de pessoas em Bangladesh, Índia, Taiwan e Chile estão consumindo alta concentração de arsênico através da água potável e milhares deles já desenvolveram intoxicação crônica por arsênico. Não existe tratamento específico. Alguns autores sugerem o uso de vitaminas e minerais por mais de 6 meses."

A estratégia primária para combater esse mal certamente é a não exposição ao arsênico (ou, pelo menos, a redução drástica dessa exposição). Como isso nem sempre é possível, spirulina pode ser uma ótima aliada, em conjunto com uma alimentação nutritiva. Se você sabe ter esse problema ou desconfia que possa tê-lo, vale a pena incluir a spirulina em sua rotina de alimentação.

Em um estudo de 2006, publicado no Journal of Pakistan Association of Dermatologists, foram selecionados quarenta pacientes com intoxicação por arsênico. Esses pacientes foram divdidos em dois grupos iguais, sendo que um recebeu 10 g diários de spirulina e o outro placebo. O estudo teve duração de seis meses.

Os achados gerais revelaram que 60% dos pacientes apresentaram melhora considerável com o tratamento com spirulina e o resultado foi estatisticamente significativo. Na maioria dos participantes, a melhora ocorreu gradualmente e exigiu cerca de seis meses para que houvesse uma boa melhora.

HIV/Aids

Um estudo publicado em 1998 constatou que o extrato aquoso de spirulina inibiu efetivamente a replicação do vírus HIV-1. Uma concentração de extrato entre 0,3 e 1,2 microgramas por mililitro reduziu a produção viral em 50%.

Os epidemiologistas sempre tentaram entender por que pessoas no Japão, Coréia e Chade têm taxas relativamente baixas de HIV/AIDS. Uma explicação possível, revelada em um estudo de 2012 publicado no Journal of Applied Phycology, pode ser a quantidade de algas que as pessoas nessas áreas consomem regularmente.

Nesse estudo, 11 pacientes com HIV que nunca haviam tomado anti-retrovirais foram divididos aleatoriamente para receber todos os dias Undaria pinnatifida (5 g), Arthrospira platensis (5 g), ou uma combinação de ambas.

Nenhum efeito adverso foi observado nas intervenções. Além disso, as células CD4* e a carga viral do HIV-1 permaneceram estáveis durante um período de 3 meses. Um sujeito continuou no estudo por mais 10 meses e apresentou melhora clinicamente significativa nas células CD4 e diminuição da carga viral do HIV.

*Células CD4 são células de defesa e principais alvos do vírus HIV. O número de CD4 diminui com a evolução da patologia. Quanto menos células CD4, maior a vulnerabilidade do sistema imunológico e maior o risco de complicações e infecções.

Distúrbios metabólicos

O consumo regular de spirulina também pode auxiliar na prevenção e no tratamento de condições intimamente ligadas à obesidade, como diabetes, pré-diabetes e outras. Em estudo, 4,5 g de spirulina por dia durante seis semanas reduziu significativamente os níveis séricos de triglicerídeos, assim como regulou a pressão sanguínea de indivíduos entre 18 e 65 anos de idade.

Em um outro estudo, publicado no Journal of Medicinal Food, diabéticos tipo 2 que receberam 2 g de spirulina por dia em um período de dois meses apresentaram melhora da hemoglobina glicosilada e melhores perfis lipídicos. Se você se considera predisposto(a) a distúrbios metabólicos ou simplesmente visa prevenção, incorporar a spirulina em sua dieta é uma boa pedida.

Em estudo de 2008, publicado no Nutrition Research and Practice, com 37 indivíduos diabéticos do tipo 2, oito gramas de spirulina por dia reduziram significativamente os níveis de triglicerídeos plasmáticos.

Em adição, spirulina possui um pigmento chamado ficocianina do qual pesquisadores já observaram efeitos anti-hipertensivos em experimentos com animais via melhora da expressão da óxido nítrico-sintase* endotelial (eNOS) na aorta [3]. A ficocianina possivelmente é benéfica na prevenção de doenças relacionadas à disfunção endotelial na síndrome metabólica.

*A óxido nítrico-sintase (NOS) é a enzima responsável pela produção de óxido nítrico (molécula que contribui para o relaxamento e dilatação dos vazos sanguíneos) a partir do aminoácido L-arginina. Três isoformas de NOS estão bem caracterizadas: nNOS (neuronal), eNOS (endotelial) e iNOS (induzível) [4].
 

Anemia

Em estudo realizado com quarenta adultos (ambos os sexos, cinquenta anos ou mais de idade) com diagnóstico de anemia, a suplementação com spirulina aumentou o conteúdo de hemoglobina dos glóbulos vermelhos e melhorou a função imune.

Saúde dos olhos

Existe uma condição conhecida como degenaração macular relacionada à idade que tem como consequência a perda progressiva da visão. As membranas maculares da retina humana contêm dois pigmentos carotenóides principais – a luteína e a zeaxantina. Eles ajudam a proteger os olhos, diminuindo a oxidação induzida por ultravioleta das membranas lipídicas, ajudando a prevenir a degeneração da mácula.

Dito isso, spirulina é a fonte mais rica conhecida de zeaxantina, fornecendo de 3.750 a 6.000 mcg de zeaxantina por porção de três gramas [5]. Para se ter uma ideia, a concentração de zeaxantina no ovo, que é considerado uma boa fonte desse nutriente, é de cerca de 200 mcg por unidade (encontrados especificamente na gema) [6].

Candidíase

A alta incidência de candidíase vulvovaginal, unida ao aumento de problemas relacionados à toxicidade de e resistência a medicamentos antifúngicos, destaca a necessidade do desenvolvimento de novas estratégias para o tratamento dessa condição, hoje tão comum. Nesse contexto, os compostos naturais representam alternativas promissoras. Spirulina exibe atividades antimicrobianas contra vários microrganismos.

A atividade in vitro de um extrato aquoso de spirulina foi avaliada contra 22 cepas de Candida spp, indicando que essa cianobactéria represente uma potencial abordagem alternativa aos agentes antifúngicos tópicos para o tratamento de candidíase vulvovaginal [7]. O efeito imunoestimulador de spirulina na profilaxia de camundongos com candidíase sistêmica também foi avaliado, demonstrando resultados positivos [8].

Proteção antioxidante

A oxidação de lipídios, ou peroxidação lipídica, é uma etapa crucial na patogênese de vários estados de doença. A peroxidação lipídica é um processo gerado naturalmente em pequenas quantidades no corpo, principalmente pelo efeito de várias espécies reativas de oxigênio [9]. Quando excessiva e crônica, está associada a condições como envelhecimento precoce, câncer, aterosclerose, diabetes, dentre outras.

Bioquimicamente, o organismo humano possui sistemas de defesa para lidar com o estresse oxidativo, o que inclui determinadas enzimas, tais como superóxido dismutase, glutationa peroxidase e catalase. A ação dos antioxidantes presentes nos alimentos podem auxiliar este sistema. Os antioxidantes na spirulina, por exemplo, parecem ser particularmente eficazes na redução da peroxidação lipídica em humanos e animais [10, 11].

Força muscular e resistência

O dano oxidativo induzido pelo exercício é um dos principais contribuintes para a fadiga muscular. Lembrando que o estresse oxidativo agudo, como o que ocontece na maioria dos exercícios, é benéfico (desde que se respeite, é claro, o tempo adequado de recuperação e se ofereça nutrição de qualidade ao organismo).

Para aqueles que desejam otimizar a performance, adiando a fadiga muscular, o uso de spirulina, em conjunto com outras estratégias, pode ser indicado. Estudos demonstraram que a spirulina aumentou a resistência, prolongando significativamente o tempo para que as pessoas se cansassem [12, 13].

Saúde cerebral

Um estudo em animais mostrou que dietas enriquecidas com spirulina podem reverter a inflamação associada à diminuição da neurogênese. A neurogênese é o processo de formação de novos neurônios no cérebro. Sua redução é fator relevante no desenvolvimento das doenças degenerativas do cérebro.

Em outro estudo, camundongos propensos a senescência acelerada, com três meses de idade, foram aleatoriamente designados para um grupo controle ou para um dos dois grupos experimentais. Os grupos experimentais receberam extrato aquoso de spirulina (50 mg/kg de peso corporal ou 200 mg/kg de peso corporal). Camundongos resistentes a senescência acelerada foram usados como um controle externo.

Os pesquisadores observaram ótimos resultados, analisando alguns parâmetros, nos grupos tratados com spirulina. O grupo que recebeu 200 mg/kg apresentou os melhores resultados, como, por exemplo, atividades significativamente maiores da glutationa no córtex e da catalase, em comparação ao grupo controle. Em adição, em ambos os grupos tratados a deposição de proteína β-amilóide foi significativamente reduzida no hipocampo e no cérebro como um todo.

A glutationa é considerada o antioxidante master do organismo. A catalase é uma enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio em água e oxigênio molecular. A proteína β-amilóide é um componente que já foi associado à doença de Alzheimer. Spirulina também demonstrou reduzir a agregação plaquetária, reduzindo o risco de tromboembolismo [14, 15]. A agregação plaquetária tem um forte papel nas doenças vasculares.

Câncer

Muito se argumenta que as características combinadas de modulação antioxidante e imunológica da spirulina podem ter um mecanismo de destruição de tumores e desempenhar um papel na prevenção do câncer. A maioria dos estudos a respeito são em animais e in vitro.

Um estudo em humanos analisou os efeitos da spirulina na carcinogênese oral, em particular a leucoplasia. Os autores relataram que 45% dos participantes apresentou regressão completa da leucoplasia após tomar suplementos de spirulina por um ano. O ponto negativo desse estudo é que não foi um estudo cego e randomizado, o que não lhe permite ser considerado alto nível de evidência.

Estudos anteriores em hamsters mostraram regressão tumoral após aplicação tópica ou ingestão enteral de extrato de spirulina [16, 17, 18]. Um estudo de 2009, realizado em animais, descobriu que o extrato de spirulina aumentou a ativação de células natural killer, que possuem atividade antitumoral. Também existem evidências da atividade da spirulina contra o câncer de pulmão [19].

Entre outras substâncias bioativas, spirulina também é rica em compostos tetrapirrólicos intimamente relacionados à molécula de bilirrubina, um potente antioxidante e agente antiproliferativo. Um estudo de 2014, que avaliou possíveis efeitos anticâncer da spirulina e seus compostos tetrapirrólicos usando um modelo experimental de câncer de pâncreas, sugeriu que a spirulina tem um papel quimiopreventivo.

 

SPIRULINA E BILIRRUINA: ENTENDA MELHOR A LIGAÇÃO

A bilirrubina é um produto de degradação dos glóbulos vermelhos (heme) e o químico responsável pela cor amarela de hematomas, da urina e aquela presente em casos de icterícia. Em níveis adequados, a bilirrubina tem um forte efeito na eliminação de radiais livres. Até recentemente, os cientistas não sabiam que a bilirrubina pode ter propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e ateroprotetoras.

É sugerido que a bilirrubina forneça esses benefícios à saúde através da capacidade de inibir a NADPH oxidase, uma enzima metabólica que parece desempenhar um papel de grande influência em uma ampla gama de condições, tais como doenças cardiovasculares, diabetes, resistência à insulina, distúrbios neurodegenerativos, câncer, glaucoma, fibrose pulmonar, disfunção erétil, entre outras.

Embora a administração oral de bilirrubina como estratégia clínica não seja viável, devido a sua solubilidade em água ser extremamente baixa, os níveis de bilirrubina plasmática e tecidual podem ser aumentados por medicamentos ou nutracêuticos. Essa abordagem foi apelidada de 'síndrome iatrogênica de Gilbert' [20, 21].

Como alternativa, o precursor muito mais solúvel da bilirrubina, a biliverdina, pode ser administrado por via oral [22]. A biliverdina, porém, é um complexo molecular bastante caro para sintetizar e não existem fontes naturais ricas nesse complexo..

Aqui entra a contribuição da spirulina. O metabólito da biliverdina, a ficocianobilina, presente em algumas algas e na spirulina, é facilmente convertido pela biliverdina redutase na análoga da bilirrubina, a ficocianorubina, que parece ter a mesma capacidade da bilirrubina de inibir a NADPH oxidase [23, 24, 25]. A ficocianobilina pode constituir 0,6% ou mais do peso seco da spirulina.

Isso pode explicar em parte as propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias versáteis da spirulina oral (ou da ficocianina, a proteína da spirulina à qual a ficocianorubina está covalentemente ligada) em estudos com roedores [23, 26, 27].

 

SPIRULINA: UMA ARMA CONTRA A RADIAÇÃO?

1. O acidente nuclear de Chernobyl

Os benefícios da spirulina no tratamento contra radiação vieram à tona após o desastre de Chernobyl em 1986, perto da fronteira com a Bielorrússia na Ucrânia. Quando o desastre ocorreu com o colapso do reator em 1986, cerca de 134 trabalhadores e bombeiros que lutavam contra o incêndio na fábrica de Chernobyl foram expostos a altas doses de radiação e sofreram com doença de radiação aguda. Desses, 28 morreram nos primeiros 3 meses devido a lesões causadas pela radiação. Mais dois pacientes morreram durante os primeiros dias como resultado de lesões combinadas de fogo e radiação.

A Bielorrússia recebeu 70% da precipitação radioativa e 23% de seu território contaminou-se com radioatividade. No total, mais de 160.000 crianças e 146.000 trabalhadores tornaram-se vítimas de envenenamento por radiação, o que acarretou defeitos congênitos, leucemia, anemia, câncer, doenças da tireóide, degeneração de fluidos espinhais, fígado e medula óssea e sistemas imunológicos gravemente comprometidos.

É relatado que uma empresa britânica, enviou remessas de comprimidos de spirulina e pó de spirulina para clínicas na Bielorrússia para o tratamento de crianças com doença de radiação após o acontecimento. Ao tomar 5 gramas de spirulina por dia durante 45 dias, o Instituto de Medicina Radiológica de Minsk descobriu que as crianças apresentaram sistemas imunológicos e contagens de células T otimizados, além de radioatividade reduzida.

O Instituto também relatou a regeneração da medula óssea, fluidos espinhais, sangue e fígado. Contagens perigosamente baixas de glóbulos brancos de cerca de 1000, típicas de leucemia, aumentaram para uma média de 3000 em 20 dias, e a spirulina produziu melhorias rápidas na saúde das crianças tratadas em comparação com outras que não haviam recebido as algas.

Em particular, a spirulina reduziu os níveis de radioatividade da urina em 50% em apenas 20 dias e, portanto, o Instituto desenvolveu um programa especial para tratar 100 crianças a cada 20 dias com spirulina.

Surpreendentemente, a restauração da saúde foi relatada mesmo quando a doença da radiação estava tão avançada que os globos oculares das crianças estavam inchados. Além disso, a cura ocorreu durante a presença contínua de radiação, bem como a presença de alimentos e fontes de água contaminados por radiação.

2. Alguns estudos relacionados a spirulina e radiação

Um estudo de caso envolvendo uma paciente de 81 anos de idade, cujo tumor vulvar havia sido removido, concluiu que baixas doses de radiação podem ser benéficas quando usadas em concomitância com radioprotetores e agentes de radiossensibilização, como spirulina e metronidazol. Segundo autores, estudos futuros devem ser focados na spirulina e radioterapia para aumentar a eficácia do tratamento.

Um estudo de 2012, realizado em animais, investigou o efeito radioprotetor da spirulina contra o estresse oxidativo e as lesões teciduais causadas pela radiação gama. De acordo com autores:

"As propriedades da spirulina e seus constituintes dão a impressão de ser um agente radioprotetor contra o estresse oxidativo induzido pela radiação gama. Isso pode ser por meio da estimulação da GSH [glutationa], da modulação da atividade sérica da GGT [gama-glutamil transferase] e do impacto hipolipidêmico. Assim, a suplementação com spirulina pode trazer benefícios para a aplicação segura da tecnologia de radiação na medicina e na indústria."

Segundo estudo que observou o polissacarídeo de spirulina nos sistemas hematopoiéticos de camundongos e cães sistemas estes que haviam sido danificados pela injeção de ciclofosfamida (fármaco) e irradiação gama , spirulina tem capacidade quimio-protetora e radio-protetora e pode ser um complemento potencial à terapia do câncer.

Um estudo publicado em 2019 teve como objetivo investigar o papel protetor da spirulina contra os efeitos induzidos por raios UVA, analisando alterações hemato-bioquímicas e biomarcadores citotóxicos e genotóxicos de eritrócitos em bagres africanos (Clarias gariepinus). Os pesquisadores concluiram que a spirulina desempenha um papel modulador na prevenção e/ou reparo dos efeitos hemotóxicos induzidos por UVA.

Embora a maioria dos estudos citados tenham sido feitos em animais e não garantam os mesmos benefícios para humanos, os resultados não deixam de ser interessantes e podem servir como um estimulo para estudos futuros específicos em humanos.

 

CONSIDERAÇÕES RELEVANTES SOBRE A SPIRULINA

Spirulina, além de fonte incrível de vitaminas e minerais, é um ótimo desintoxicante, por tanto comece consumindo-a em uma dosagem bem pequena (como 1 g, ou menos, por dia) e vá aumentando gradativamente, de modo a evitar reações bruscas de desintoxicação. Na realidade isso vai depender bastante da carga tóxica atual do seu organismo. Quanto maior for essa carga, maiores serão as chances de potenciais reações ocorrerem e vice-versa.

Em adição, ao decidir incorporar a spirulina em sua alimentação, certifique-se de adquirir um produto livre de toxinas provenientes de águas contaminadas (algo muito comum hoje em dia). Dê forte preferência às spirulinas certificadas orgânicas ou, pelo menos, de fabricantes confiáveis que garantam ausência de contaminantes. Assim você fica mais tranquilo(a), sabendo que pode colher o máximo de benefícios.

Quanto à digestibilidade, spirulina é naturalmente bem digerida por nós humanos, já que não possui parede celular, como no caso da chlorella, por exemplo. Se você acompanhou nosso artigo sobre a chorella já deve estar ciente que ao comprar a sua ela deve estar com a parede celular quebrada, um processo a cargo do fabricante. No caso da spirulina, essa preocupação em específico não precisa existir.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A spirulina trata-se de um tipo de cianobactéria, um organismo unicelular, muito embora seja vastamente conhecida e referida como uma alga. Seu perfil nutricional apresenta diversas vitaminas e minerais e outros componentes benéficos, o que chama a atenção de pessoas que buscam uma alimentação mais saudável. Spirulina é naturalmente bem digerida por nós humanos, não necessitando passar por processo específico de quebra de paredes celulares durante a fabricação, como é o caso da chlorella. Dê preferência, entretanto, a spirulinas orgânicas ou, ao menos, de fabricantes que garantam a sua pureza, visto que atualmente é bastante comum a existência de águas contaminadas pelo mundo afora. Spirulina, de fato, detém um corpo grande de evidências que apoiam o seu uso para a otimização da saúde e o tratamento de diversas condições.


 

Voltar